domingo, 12 de julho de 2009

O Diário de Perla - Cena INÉDITA

(2º ano dos Marotos em Hogwarts - Parte integrante de O Diário de Perla)


- Eu desisto - Perla jogou os livros para um lado e deitou de costas no gramado. Sirius sorriu.


- Ei Pê, nós temos que continuar, ainda faltam algumas coisas. E eu tenho certeza de que você não quer ir mal nos exames.

Sirius e Perla estavam estudando nos jardins do castelo para os exames de final de ano letivo, que começariam em dois dias.

- Que se danem os exames - Sirius encarou a garota com uma expressão de surpresa - É isso mesmo. Eu estou cansada. Preciso de um momento de relaxamento, ou eu juro que vou me afogar nesse lago.

O maroto concordou e deitou ao lado dela. Perla sentiu os batimentos cardiacos acelerando com a proximidade do garoto, mas não disse nenhuma palavra. Apenas fechou os olhos e implorou a todos os deuses do universo que não deixassem aquele momento terminar.


Depois de alguns minutos que eles passaram sem dizer nada, Sirius resolveu quebrar o silêncio.

- Como é a sua vida fora de Hogwarts, Pê?

A garota estranhou a pergunta. Abriu os olhos e ergueu o corpo o suficiente para poder encará-lo.


- Como assim?

- Como é a sua vida quando está em casa, com seus pais... o que você faz, como se diverte... essas coisas...

- Minha vida não tem nada de interessante quando eu estou fora de Hogwarts - ela respondeu e voltou a deitar no gramado. Porém, Sirius não se deu por satisfeito.

- Vai mesmo me deixar curioso? - ela riu - Por favor...

- Ok, vamos fazer um acordo - ela ergueu o corpo novamente - Você me conta como é a sua família e o motivo de vocês serem tão diferentes e eu te conto sobre a minha vida fora daqui.

- Não tem muito o que contar... - Perla ameaçou deitar novamente, mas ele a impediu - Ok, eu falo, mas te adianto que você não vai achar nada de interessante.

Ela apoiou a cabeça no braço e continuou fitando-o, esperando ansiosamente pelo que ele teria a contar.

- Bom, todos os meus parentes, com exceção da Andrômeda e do meu tio Alphard, sempre acreditaram nessa coisa do sangue puro. Eles se casavam com primos e outros parentes, tudo só pra manter essa linhagem "pura". Além disso, a grande maioria sempre foi a favor dessa "caça aos trouxas e mestiços". Achavam que eles não deveriam fazer parte do mundo bruxo, que não seriam nobres o bastante pra fazerem parte.

- E por que você não é assim?

- Eu não sei... sempre tem um traidor do sangue, certo? E desde que eu me entendo por gente, sempre me dei muito bem com a Andromeda e ela era totalmente contrária a isso. Ela e a Bella viviam brigando o tempo todo, por que a Bellatrix sempre teve esse gênio, esse ar de superioridade desde pequena...mas os pais dela não são muito diferentes, por isso a Andie sofre
horrores nas mãos deles...

- E isso se aplica a você e seus pais, certo?

- Sabe, quando eu era mais novo, não esquentava realmente a cabeça com nada disso. Mas depois que eu conheci o Tiago, tudo mudou. A família dele é uma das famílias mais antigas no mundo bruxo e no entanto, eles tinham vários amigos trouxas. O Tiago me abriu muito a cabeça em relação a isso, me provou que não é a sua ascendência que faz diferença no seu caráter, mas sim quem você é. Foi então que eu resolvi que não daria importância pra isso. Que o caráter das pessoas me faria decidir se as quero ou não fazendo parte da minha vida e não quem são seus pais. E levei as consequências. Meus pais me odeiam, meu irmão me odeia, todos os meus parentes me odeiam... você nem imagina a reação deles quando eu fui escolhido pra ficar na
Grifinória... bom, você deve imaginar...

Perla acenou afirmativamente.

- As férias do ano passado foram um inferno. Eu passava mais da metade dos dias andando por Londres do que na minha casa. Voltar foi a melhor coisa do mundo. E é por isso que eu estou implorando pro Tiago pra passar as próximas férias na casa dele. Eu não aguento nem mais um dia naquela casa.

- Sirius Black implorando por alguma coisa? - Perla riu, fazendo Sirius fechar a cara - Tá, eu não podia perder essa oportunidade de brincar com você! Mas... é impressionante a quantidade de pessoas que concordam com os seus pais...

- É... mas sabe... - ele continuou ao perceber o semblante triste dela - Eu não me importo com isso e você também não deveria se importar. Pois as pessoas que não se importam, essas sim é que vale a pena conhecê-las.

Perla sorriu e sentou. Sirius fez o mesmo.

- Eu te disse que não era uma história muito interessante.

- E como você conheceu o Tiago?

- Ah, eu devia ter uns 7, 8 anos... ia ter jogo da copa mundial de quadribol. Eu levei o Régulo comigo, mas ele acabou se afastando de mim uma hora antes do jogo começar e uns garotos mais velhos começaram a implicar com ele. E o Tiago apareceu nessa hora e me ajudou a azarar os meninos. Desde então, ficamos amigos.

- Tinha que ter quadribol no meio.

- Sempre tem quadribol no meio - ele riu - Mas então, agora vai me contar a sua história?

Ela suspirou e encarou o lago. Perla realmente não sentia a menor vontade de falar sobre sua vida fora do castelo. Principalmente com Sirius. Principalmente quando ela passara as últimas férias pensando nele.


- Não tem muito o que contar... - ela olhou para o garoto ao seu lado, que continuou com a mesma expressão no rosto - Eu moro com a minha mãe. Meu pai morreu quando eu era pequena...


- Eu sinto muito - ela balançou os ombros.

- Não é que eu não sinta a falta dele, mas... eu simplesmente não me lembro de nada de quando ele era vivo. Apenas as coisas que mamãe me conta. É como se ele não tivesse existido, sabe? Ou como se alguém tivesse apagado a minha mente pra que eu só me lembrasse das coisas que aconteceram depois.

- Vai ver que apagaram. Você sabe que existe um feitiço pra isso.

- E você se esqueceu que eu vim do mundo dos trouxas? - ela deu um tapa de leve na testa dele. Sirius aproveitou pra segurar a mão dela.

- E você lembra ao menos como ele morreu?


- Não. Só sei que eu vi - ele estranhou a resposta dela e começou a fazer carinho na mão dela. Perla teve que respirar fundo antes de continuar - Mas todas as vezes que tento me lembrar como foi, não consigo.


- Vai ver que é melhor você nem se lembrar.

- É... talvez seja - ela parou de falar e encarou novamente o lago - Minha vida com a minha mãe é... normal. Quer dizer, quando eu estou com ela, antes de vir pra cá e nas minhas últimas férias, eu sempre ia pro trabalho com ela, sempre estavamos
viajando, indo a festas...

- Ela é uma boa mãe? - Perla voltou a encará-lo, surpresa com a pergunta.

- Do jeito dela. Minha mãe vem de família sem muito recursos...então, a vida toda dela desde que ela casou foi trabalhar, trabalhar e trabalhar...tudo pra melhorar de vida. E ela conseguiu. Eu não tenho do que reclamar. Tenho a vida que muitos gostariam de ter. Na minha escola antiga, todos brigavam pra fazer parte do meu círculo de amizade, tudo pra poderem ser convidados pras "grandes festas de aniversário de Perla Montanes".

- Sabe, se você fosse filha de bruxos, tenho certeza de que meus pais iam adorar que você fizesse parte do meu círculo de
amigos.


- Ah, isso é um grande consolo - os dois riram.

- Então era isso... você era popular na outra escola por que era rica?

- É... quer dizer, eu não era má aluna e muito menos antipática ou metida... mas sim, realmente eu acho que a grande maioria só gostava de mim por que meus pais eram donos da Montanes & Cia, a melhor empresa de Marketing de Londres.

- O que é...

- Não pergunte - Perla o interrompeu e soltou a sua mão da dele.

Não que ela não quisesse que ele continuasse segurando a sua mão. Mas ela não estava se sentindo bem ao falar de como era a sua vida. Ela sentia como se fosse outra pessoa. E temia que Sirius gostasse menos dela ainda se soubesse como era tudo.

- Eu aposto como você tinha muitos pretendentes...

- Por que acha isso?

- Ah Perla, por favor. Você sabe que é uma garota muito bonita - ela moveu a cabeça de um lado para o outro, o que dizia que ela não concordava - Pois você é. E eu não digo isso por causa do dinheiro da sua mãe. Sabe que eu não dou a mínima pra isso. E os garotos daqui não tem a menor idéia de que você tem pais ricos e no entanto, a grande maioria baba nos seus pés.

- Baba nos meus pés? - Perla riu - Até parece, Black. Eu aqui sou praticamente invisível. É como se eu andasse com uma capa da invisibilidade em cima de mim!

- Você é quem pensa. Sabe, eu já ouvi comentários a seu respeito. Otto Bagman, por exemplo, pediu na semana passada pro Tiago pra ele apresentá-lo pra você.

- Otto Bagman tem a mesma boa fama que vocês... ou seja, não pode ver um rabo de saia, que já fica doido.

- Ah, mas ele não é o único. Eu fiquei sabendo que dois garotos da Corvinal apostaram entre si que você tinha descedência veela.

Perla caiu na gargalhada. Sirius colocou a mão no cabelo dela e ficou passando seus dedos por ele.

- Se eu não soubesse que você é filha de trouxas, também acharia isso. Você tem uma beleza fora do normal, Pê. Acredite, muitos garotos dariam tudo pra ter uma garota como você com eles.

Perla fechou os olhos, sentindo o toque do maroto em seus cabelos. Ele queria por tudo no mundo que ele fosse um desses garotos, mas sabia que isso era um sonho impossível. Sirius Black jamais seria de uma garota específica. Muito menos dela.

- Vou fingir que isso é verdade e que não é apenas uma coisa que você está dizendo pra me agradar.

- Por que eu mentiria pra você?

- Por que você sabe que eu não sou tão bonita assim. E além do mais, eu estou longe de ser a garota mais inteligente da sala. Esse posto é seu, dos outros marotos e da Lily.

- Quem disse que você não é inteligente? É a melhor aluna de Trato de Criaturas Mágicas.

- Como se isso fosse grande coisa - ela respondeu, abrindo os olhos.

- Você não devia se colocar tão pra baixo. É mais inteligente do que pensa. Acha que essas coisas que eu estou te ensinando para os exames são fáceis?

- Você mal presta atenção nas aulas e consegue fazer. E eu estou sempre precisando de um professor pra me ensinar.

- E quem disse que eu também não preciso? Remo e Tiago me ajudam bastante se você quer saber. Claro, eu também ajudo eles, mas... nós sempre estamos praticando e nos ajudando, por isso nos damos bem em tudo.

- Até parece...

- E se você quer saber, eu tenho certeza de que você tem um namorado no mundo dos trouxas.

- Por que acha isso?

Ela perguntou no mesmo instante. Queria ter refletido mais antes de fazer essa pergunta, mas quando se deu conta, ela já tinha saído pela sua boca. Por um instante, ela desejou que realmente Sirius estivesse com ciúmes dela quando fez essa colocação. Mas sabia que isso era impossível e que não passava de mais um delírio de sua mente insana que a todo momento buscava sinais para dizer que não era pra ela desistir dele.


- Eu já disse. Você é muito bonita. E inteligente. Duvido que não tenha ninguém la fora. Estou certo?

Perla não respondeu de imediato. Ficou pensando se devia mesmo responder a pergunta do maroto.

- Eu não tenho um namorado... mas...

- Tá vendo, SEMPRE tem um MAS!

- Tem esse garoto... Michael... ele é filho de um acionista da empresa. E os pais dele, assim como a minha mãe, vivem empurrando ele pra cima de mim. Mas eu não quero nada com ele.

- E por que você não quer nada com ele?

- Por que eu não gosto dele, ora essa!

- E você gosta de alguém?

- Que pergunta, Sirius... - ela sentiu as faces queimarem. Sirius, no entanto, não se alterou. Ele percebeu que ela tinha chamado-o pelo primeiro nome. Mas não queria dizer nada até ter a resposta dela - Não... é claro que não.

Perla fechou os olhos novamente. Sirius continuou passando a mão em seu cabelo, em silêncio, se perguntando o que teria que fazer pra que aquela garota gostasse dele. Já Perla, ficou se perguntando até quando aguentaria ficar perto dele, sem fazer nada, nem dizer pra ele tudo que sentia.

- Perla... - ele chamou, depois de algum tempo, ao perceber que a respiração dela tinha se acalmado. Mas não obteve resposta.

Sem pensar duas vezes, ele ficou ainda mais próximo dela, de tal maneira que seus rostos quase se tocassem. Perla não se mexeu, nem demonstrou qualquer reação de que tinha sentido ele mais próximo, o que o fez concluir que ela só poderia estar dormindo.

Foi então que ele colocou seus lábios em cima dela. Mas com a mesma rapidez que ele os colocou, também os tirou. Não queria que ela acordasse e o visse fazendo aquele gesto. Não queria que ela percebesse que, de todas as garotas de Hogwarts, ela era a única que realmente mexia com ele.

- Eu estou ficando louco... completamente - ele resmungou bem baixo, deitando ao lado da garota.

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